terça-feira, 16 de abril de 2024

Análise da música: “Toda forma de poder” - Engenheiros do Hawaii




“Toda forma de poder” é uma música da banda Engenheiros do Hawaii, lançada em 1986, no álbum “Longe Demais das Capitais”. A letra, de cunho político, faz uma crítica aos governos e, como diz o próprio título, à “toda forma de poder”. 

O que chama a atenção nessa música é que, logo no primeiro verso da letra, faz-se uma crítica à linguagem usada pelos políticos/governantes/pessoas importantes, algo que, como será mostrado, chama-se “novilíngua”; ao mesmo tempo, depois, essa mesma estratégia é usada pelo próprio eu-lírico.

Toda forma de poder

Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada (Yeah, yeah)
Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada (Yeah, yeah)
E eu começo a achar normal que algum boçal
Atire bombas na embaixada
(Yeah yeah, uoh, uoh)

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada
(Yeah, yeah)
Toda forma de conduta se transforma numa luta armada
(Uoh uoh)
A história se repete
Mas a força deixa a história mal contada

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

E o fascismo é fascinante
Deixa a gente ignorante e fascinada
É tão fácil ir adiante e se esquecer
Que a coisa toda tá errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer

Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer


Logo de início, nota-se a percepção do eu-lírico quanto à novilíngua: “Eu presto atenção no que eles dizem / mas eles não dizem nada”. A novilíngua “é o processo de manipulação da linguagem que invade o campo político, esvazia o discurso e, como pesadelo de Orwell, instrumentaliza a esfera pública”. Todos sabemos o quanto os políticos enrolam em seus discursos, mudam de assunto, utilizam frases prontas, frases de efeito, enfim, “falam sem falar”, com intuito de se distanciarem do assunto principal. É a novilíngua, muito utilizada por ditadores.

Em seguida, o eu-lírico diz que Fidel Castro e Pinochet dão risada de nós, pois não fazemos nada, e que ele já começa a achar normal que algum boçal/ignorante — fascista? — atire bombas na embaixada. É que a novilíngua é “capaz de minar o hábito de ouvir, a atenção e a concentração, formando pessoas que deixam de pensar a política como uma esfera de atuação em seu cotidiano” e assim, acostumam-se, apenas seguem o que é dito, acreditam que todos os discursos são iguais e mentirosos, alienam-se. 

Os nomes Fidel e Pinochet podem ser trocados por vários outros, aqui mesmo, no Brasil, temos tantos políticos que caçoam de nós, que criam leis que beneficiam a eles e nos prejudicam, no entanto, nós não fazemos nada para combatê-los — alguns dizem não fazer por não adiantar, por isso nem tentam… —; ou ainda, nem precisa ser político, mas líderes religiosos ou certos “artistas”, que soltam seus ideais autoritários e passam por cima de leis e nada lhes acontecem.

Para quem não sabe, Fidel Castro foi o revolucionário cubano, líder ao lado de Che Guevara na Revolução Cubana, que tirou o ditador Fulgêncio Batista do poder e que implantou o Comunismo. Embora Cuba tenha melhorado em muitos sentidos desde então, Fidel Castro continuou sendo autoritário. Assim, o eu-lírico critica a “extrema esquerda”. 

Por outro lado, Augusto Pinochet, comandante do exército chileno, foi quem liderou o golpe militar de 1973 e implantou uma ditadura sobre o Chile. Autoritarismo e fascismo resumem o que foi o “governo” de Pinochet. Assim, o eu- lírico critica a “extrema direita”.

Em seguida, chega o refrão, e é nesta parte em que o eu-lírico, conscientemente, utiliza-se da novilíngua, distanciando-se totalmente do discurso proferido na primeira estrofe.

Se no primeiro verso ele reclama que presta “atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”, agora, quem não diz nada é o próprio eu-lírico: “Se tudo passa, talvez você passe por aqui / E me faça esquecer tudo que eu vi / Se tudo passa, talvez você passe por aqui / E me faça esquecer”. 

Além de fugir do assunto político que estava sendo discutido, neste momento o eu-lírico canta mais devagar, repete algumas frases e ainda se utiliza de um jogo de palavras que faz o refrão ser a parte mais memorável da música. Observemos o jogo de palavras usado, destacadas as sílabas que o compõe: SE – pasSA – voCÊ – pasSE – faÇA – esqueCER – SE – pasSA – voCÊ – pasSE – faÇA – esqueCER.

Não é à toa que a maioria das pessoas lembra somente desta parte da música, esquecendo-se totalmente (ou nem percebendo/refletindo) o teor crítico do resto dela. E isso acontece na maioria das músicas. 

Passando o refrão, o eu-lírico volta com suas críticas e diz que “toda forma de poder é uma forma de morrer por nada”, pois “toda forma de conduta se transforma numa luta armada”. Aqui se mostra quase um niilismo do eu-lírico, pois este não vê sentido em forma alguma de poder, seja de “direita ou de esquerda”, além disso, há a denúncia de que todo extremismo causa revoltas/ lutas armadas. 

Termina-se essa estrofe dizendo que “a história se repete / mas a força deixa a história mal contada”, até porque, geralmente quem sobra para contá-la são os vencedores. Ou, como disse Napoleão: “A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo”. A força e o autoritarismo deformam os fatos e criam ideologias. Ideologias camufladas por discursos. 

Interessante notar que o eu-lírico, ao terminar de cantar a última palavra da estrofe, “contada”, fica repetindo as duas últimas sílabas: “ta” e “da”, como se fosse um eco, assim como é dito que a história se repete, mas mal contada, contada pela metade, contada só o final. É bom lembrarmos que se não conhecermos a História, podemos repetir erros do passado.

Depois disso volta o refrão que nada tem a ver com o conteúdo da música, agora com mais de uma voz e cantado mais alto. Talvez, implicitamente, esteja mostrando que para a fuga há mais forças/pessoas/vozes, mas para a crítica…

Por fim, depois de tantos indícios que o eu-lírico já tinha dado, ele fala do fascismo. Diz que o “fascismo é fascinante / deixa a gente ignorante e fascinada / É tão fácil ir adiante e se esquecer / Que a coisa toda tá errada / Eu presto atenção no que eles dizem / Mas eles não dizem nada”.

Além de ser real, essa estrofe é atual. Ora, o fascismo, a violência, o poder, realmente atraem/fascinam. Dão uma resposta simples e rápida para problemas difíceis e complexos. Assim nascem as ideologias. Um exemplo: nazismo. O nazismo deu uma resposta muito simples e rápida para todos os problemas na Alemanha: extermínio de judeus. Disseram na época que o problema de toda a situação ruim (seja econômica, cultural etc.) da Alemanha era a presença dos judeus, sendo assim, a solução era somente exterminá-los. 

Um exemplo mais atual: temos centenas de políticos governando o Brasil, inúmeros problemas em todos os âmbitos, mas andam dizendo que a culpa de todos os problemas é a presidente, que tirando-a, ela e o seu partido “do poder”, tudo se resolve. Outro assunto que está em debate é a diminuição da violência, onde a maioria acredita que, investindo em prisões, punições e diminuindo a redução da maioridade penal, resolver-se-á tudo. Quando se fala em educação, é só em diminuição dos gastos e investimentos.

Voltando à novilíngua, ela foi e ainda é muito utilizada por ditadores e fascistas, tanto que antes de ela possuir esse nome, era referida como “linguagem stalinista” (Stalin, como se sabe, foi um ditador da União Soviética). A ideia de punição/aniquilação/ destruição, isto é, o fascismo, fascina e “deixa a gente ignorante”. Dão-se respostas simples e rápidas, porque é “tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda está errada”. 

// 

Não nos deixemos enganar pela linguagem, não nos deixemos cair em ideologias; pensemos antes de agir, porque ao agirmos sem pensar, se não for por emoção e desatenção, é por intenção, é por pretensão, é por ação imediata, ao invés de reflexão, opinião e ação sensata. 

Engenheiros do Hawaii é uma banda brasileira de rock, liderada por Humberto Gessinger, criada em 1984, esteve em atividade até 2008, ano em que a banda entrou em “pausa” e está até hoje. 

Referências:


3º Ano - "Ditadura Militar no Brasil"

 

Fonte: Nas Tramas de Clio










segunda-feira, 15 de abril de 2024

"Ditadura Militar: 10 Músicas de Protesto" História Digital

O golpe militar de 1964 instaurou no Brasil uma forte censura, praticada através dos Atos Institucionais (AI’s) criados para aumentar a repressão do Estado sobre a população ou qualquer manifestação que fosse contrária ao governo imposto no país. Não demorou para a música – enquanto manifestação artístico-cultural de forte teor político – estar entre os principais alvos da censura. Mas nem isso calava a voz dos artistas. Assim, conheça 10 músicas de protesto à Ditadura Militar.
Se você curte este tema e deseja ler algo para aprofundar ainda mais no assunto, sugerimos a leitura do livro Cale-se: Mpb e Ditadura Militar, que trata das letras das canções compostas nos anos mais duros da ditadura (1964 a 1974), e reforça a ideia de que a música serviu – e serve – como uma importante ferramenta de comunicação, carregando mensagens (as mais variadas possíveis) com as palavras e frases que formam suas letras.
Vale ressaltar que nem todas as músicas foram criadas como forma de protesto. Por exemplo, alguns cantores, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, compunham músicas com forte teor político e social, mas nem sempre faziam críticas diretas à ditadura. Porém, são citadas por fazerem parte de um momento histórico único em nossa história, caracterizado pela efervescência cultural.

1- Alegria, alegria


A música Alegria, Alegria foi lançada em 1967, por Caetano Veloso. Valorizava a ironia, a rebeldia e o anarquismo a partir de fragmentos do dia-a-dia. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.
Trecho: O sol se reparte em crimes/Espaçonaves, guerrilhas/Em cardinales bonitas/Eu vou…
2 - Caminhando - Pra não dizer que não falei das flores

Caminhando (Pra não dizer que falei das flores) é uma música de Geraldo Vandré, lançada em 1968. Vandré foi um dos primeiros artistas a ser perseguido e censurado pelo governo militar. A música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record, se transformando em um hino para os cidadãos que lutavam pela abertura política. Através dela, Vandré chamava o público à revolta contra o regime ditatorial e ainda fazia fortes provocações ao exército.
Trecho: Há soldados armados / Amados ou não / Quase todos perdidos / De armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam / Uma antiga lição: De morrer pela pátria / E viver sem razão
3 - Cálice

A música Cálice, lançada por Chico Buarque em 1973, faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido das palavras “cálice” e “cale-se” para criticar o regime instaurado.
Trecho: De muito gorda a porca já não anda (Cálice!) / De muito usada a faca já não corta / Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!) / Essa palavra presa na garganta
4 - O bêbado e o equilibrista

O bêbado e o equilibrista, foi composto por Aldir Blanc e João Bosco e gravado por Elis Regina, em 1979. Representava o pedido da população pela anistia ampla, geral e irrestrita, um movimento consolidado no final da década de 70. A letra fala sobre o choro de Marias e Clarisses, em alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, assassinados sob tortura pelo exército.
Trecho: Que sonha com a volta / Do irmão do Henfil / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete / Chora! A nossa Pátria Mãe gentil / Choram Marias e Clarisses / No solo do Brasil…
5 - Mosca na sopa

Mosca na sopa é uma música de Raul Seixas, lançada em 1973. Apesar das controvérsias acerca do sentido da música, a letra faz uma referência clara à ditadura militar. Através de uma metáfora, o povo é a “mosca” e, a ditadura militar, “a sopa”. Desta forma, o povo é apresentado como aquele que incomoda, que não pode ser eliminado, pois sempre vão existir aqueles que se levantam contra regimes opressores.
Trecho: E não adianta / Vir me detetizar / Pois nem o DDT / Pode assim me exterminar / Porque você mata uma / E vem outra em meu lugar…
6 - É proibido proibir

É proibido proibir é uma música de Caetano Veloso, lançada em 1968. Esta canção era uma manifestação das grandes mudanças culturais que estavam ocorrendo no mundo na década de 1960. Na apresentação realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, a música de Caetano foi recebida com furiosa vaia pelo público que lotava o auditório. Indignado, Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.
Trecho: Me dê um beijo meu amor / Eles estão nos esperando / Os automóveis ardem em chamas / Derrubar as prateleiras / As estantes, as estátuas / As vidraças, louças / Livros, sim…
7 - Apesar de você

Depois de Geraldo Vandré, Chico Buarque se tornou o artista mais odiado pelo governo militar, tendo dezenas de músicas censuradas. Apesar de você foi lançada em 1970, durante o governo do general Médici. A letra faz uma clara referência a este ditador. Para driblar a censura, ele afirmou que a música contava a história de uma briga de casal, cuja esposa era muito autoritária. A desculpa funcionou e o disco foi gravado, mas os oficiais do exército logo perceberam a real intenção e a canção foi proibida de tocar nas rádios.
Trecho: Quando chegar o momento / Esse meu sofrimento / Vou cobrar com juros. Juro! / Todo esse amor reprimido / Esse grito contido / Esse samba no escuro
8 - Acender as velas

A música Acender as velas, lançada em 1965, é considerada uma das maiores composições do sambista Zé Keti. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964. A letra deste samba possui um impacto forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Faz uma crítica social as péssimas condições de vida nos morros do Rio de Janeiro, na década de 1960.
Trecho: Acender as velas / Já é profissão / Quando não tem samba / Tem desilusão / É mais um coração / Que deixa de bater / Um anjo vai pro céu
9 - Que as Crianças Cantem Livres
Que as crianças cantem livres é uma composição de Taiguara, lançada em 1973. No mesmo ano, o cantor se exilou em Londres, tendo sido um dos artistas mais perseguidos durante a ditadura militar. Taiguara teve 68 canções censuradas, durante o período de maior endurecimento do regime, no fim da década de 1960 até meados da década de 1970.
Trecho: E que as crianças cantem livres sobre os muros / E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor / E que o passado abra os presentes pro futuro / Que não dormiu e preparou o amanhecer…
10 - Jorge Maravilha

Jorge Maravilha, lançada em 1974, é mais uma música de Chico Buarque, agora sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, criado para driblar a censura. Os versos “você não gosta de mim, mas sua filha gosta” parecia uma relação conflituosa entre sogro, genro e filha. Mas, na verdade, fazia alusão à família do general Geisel. Geisel odiava Chico Buarque. No entanto, a filha do militar manifestava interesse pelo trabalho do compositor.
Trecho: E como já dizia Jorge Maravilha / Prenhe de razão / Mais vale uma filha na mão / Do que dois pais voando / Você não gosta de mim, mas sua filha gosta

Aprendizagem Cooperativa

Vídeo utilizado em uma oficina de Planejamento Estratégico Pessoal ministrada pelo Projeto Estudante Cooperativo (uma parceria ente SEDUC-CE, PRECE, UFC, e COFAC). Conteúdo inspirado na versão de bolso da obra de Sean Covey "Os 7 Hábitos dos Adolescentes Altamente Eficazes".
PRECE: Protagonismo, Cooperação e Solidariedade produzido pela equipe Memorial do PRECE



terça-feira, 9 de abril de 2024

"Wilson Simonal - Ninguém sabe o duro que dei" - Documentário

 


Ano: 2009
Sinopse:
A trajetória do ex-cabo do exército Wilson Simonal, que se tornou cantor de grande sucesso nos anos 60. Lançado por Carlos Imperial, Simonal vendeu milhões de discos e lotou estádios em seus shows até ser condenado ao ostracismo devido à acusação de que era informante da ditadura militar, o que sempre negou.
#documentariosLeCoq #wilsonsimonal

https://lecoqfilms.wordpress.com/

segunda-feira, 8 de abril de 2024

"11 filmes para entender a ditadura militar no Brasil"

Onze filmes que fazem um diagnóstico de como o cinema retratou a ditadura militar no Brasil

Das sessões de tortura aos fantasmas da ditadura, o cinema brasileiro invariavelmente volta aos anos do regime militar para desvendar personagens, fatos e consequências do golpe que destituiu o governo democrático do país e estabeleceu um regime de exceção que durou longos 21 anos. Estreantes e veteranos, muitos cineastas brasileiros encontraram naqueles anos histórias que investigam aspectos diferentes do tema, do impacto na vida do homem comum aos grandes acontecimentos do período.

batismo de sangue filme ditadura militar
Cena de Batismo de Sangue (Reprodução)

Embora a produção de filmes sobre o assunto tenha crescido mais recentemente, é possível encontrar obras realizadas durante o próprio regime militar, muitas vezes sob a condição de alegoria. “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, é um dos mais famosos, retratando as disputas políticas num país fictício. Mais corajoso do que Glauber foi seu conterrâneo baiano Olney São Paulo, que registrou protestos de rua e levou para a tela em forma de parábola, o que olhe custou primeiro a liberdade e depois a vida.
Os onze filmes que compõem esta lista, se não são os melhores, fazem um diagnóstico de como o cinema retratou a ditadura brasileira.

1. MANHÃ CINZENTA (1968), Olney São Paulo – Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu este filme, que se passa numa fictícia ditadura latino-americana, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô, antecipando o que aconteceria com o próprio diretor. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu para mostrar a coragem de Olney São Paulo, que morreu depois de várias sessões de tortura, em 1978.

2. PRA FRENTE, BRASIL (1982), Roberto Farias – Um homem comum volta para casa, mas é confundido com um “subversivo” e submetido a sessões de tortura para confessar seus supostos crimes. Este é um dos primeiros filmes a tratar abertamente da ditadura militar brasileira, sem recorrer a subterfúgios ou aliterações. Reginaldo Faria escreveu o argumento e o irmão, Roberto, assinou o roteiro e a direção do filme, repleto de astros globais, o que ajudou a projetar o trabalho.

3. NUNCA FOMOS TÃO FELIZES (1984), Murilo Salles – Rodado no último ano do regime militar, a estreia de Murilo Salles na direção mostra o reencontro entre pai e filho, depois de oito anos. Um passou anos na prisão; o outro vivia num colégio interno. Os anos de ausência e confinamento vão ser colocados à prova num apartamento vazio, onde o filho vai tentar descobrir qual a verdadeira identidade de seu pai. Um dos melhores papéis da carreira de Claudio Marzo.

4. CABRA MARCADO PARA MORRER (1984), Eduardo Coutinho – A história deste filme equivale, de certa forma, à história da própria ditadura militar brasileira. Eduardo Coutinho rodava um documentário sobre a morte de um líder camponês em 1964, quando teve que interromper as filmagens por causa do golpe. Retomou os trabalhos 20 anos depois, pouco antes de cair o regime, mesclando o que já havia registrado com a vida dos personagens duas décadas depois. Obra-prima do documentário mundial.

5. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997), Bruno Barreto – Embora ficcionalize passagens e personagens, a adaptação de Bruno Barreto para o livro de Fernando Gabeira, que narra o sequestro do embaixador americano no Brasil por grupos de esquerda, tem seus méritos. É uma das primeiras produções de grande porte sobre a época da ditadura, tem um elenco de renome que chamou atenção para o episódio e ganhou destaque internacional, sendo inclusive indicado ao Oscar.

6. AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998), Beto Brant – Beto Brant transforma o reencontro de quatro ex-guerrilheiros, 25 anos após o fim do regime militar, numa reflexão sobre a herança que o golpe de 1964 deixou para os brasileiros. Os quatro amigos, torturados durante a ditadura, descobrem que seu carrasco, o homem que matou a namorada de um deles, ainda está vivo –e decidem partir para um acerto de contas. O lendário pagador de promessas Leonardo Villar faz o torturador.

7. CABRA CEGA (2005), Toni Venturi – Em seu melhor longa de ficção, Toni Venturi faz um retrato dos militantes que viviam confinados à espera do dia em que voltariam à luta armada. Leonardo Medeiros vive um guerrilheiro ferido, que se esconde no apartamento de um amigo, e que tem na personagem de Débora Duboc seu único elo com o mundo externo. Isolado, começa a enxergar inimigos por todos os lados. Belas interpretações da dupla de protagonistas.

8. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006), Cao Hamburger – Cao Hamburger, conhecido por seus trabalhos destinados ao público infantil, usa o olhar de uma criança como fio condutor para este delicado drama sobre os efeitos da ditadura dentro das famílias. Estamos no ano do tricampeonato mundial e o protagonista, um menino de doze anos apaixonado por futebol, é deixado pelos pais, militantes de esquerda, na casa do avô. Enquanto espera a volta deles, o garoto começa a perceber o mundo a sua volta.

9. HOJE (2011), Tata Amaral – Os fantasmas da ditadura protagonizam este filme claustrofóbico de Tata Amaral. Denise Fraga interpreta uma mulher que acaba de comprar um apartamento com o dinheiro de uma indenização judicial. Cíclico, o filme revela aos poucos quem é a protagonista, por que ela recebeu o dinheiro e de onde veio a misteriosa figura que se esconde entre os cômodos daquele apartamento. Denise Fraga surpreende num papel dramático.

10. TATUAGEM (2013), Hilton Lacerda – A estreia do roteirista Hilton Lacerda na direção é um libelo à liberdade e um manifesto anárquico contra a censura. Protagonizado por um grupo teatral do Recife, o filme contrapõe militares e artistas em plena ditadura militar, mas transforma os últimos nos verdadeiros soldados. Os soldados da mudança. Irandhir Santos, grande, interpreta o líder da trupe. Ele cai de amores pelo recruta vivido pelo estreante Jesuíta Barbosa, que fica encantado pelo modo de vida do grupo.

11. BATISMO DE SANGUE (2007) – Apesar do incômodo didatismo do roteiro, o longa é eficiente em contar a história dos frades dominicanos que abriram as portas de seu convento para abrigar o grupo da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderado por Carlos Marighella. Gerando desconfiança, os frades logo passaram a ser alvo da polícia, sofrendo torturas físicas e psicológicas que marcaram a política militar. Bastante cru, o trabalho traz boas atuações do elenco principal e faz um retrato impiedoso do sofrimento gerado pela ditadura.
Fonte: Cinema Uol e Literatortura

domingo, 17 de março de 2024

"Os Fantasmas do Passado"

"Essa coletânea de imagens foi feita a partir de projetos para a reconstrução do passado unindo ao cenário atual, pelos fotógrafos Sergey Larenkov, Jo Teeuwisse, Jason E. Powell, entre outros. Como fantasmas capturados para sempre nas fotografias, as cenas mostram muito claramente a dureza pela qual a humanidade passou, a capacidade do homem em se renovar, reconstruir, dar continuidade à vida, bem como a superação após os grandes conflitos que assolaram o mundo. As imagens ficaram magníficas."

Foto de Sergey Larenkov

26 de junho de 1944, soldado alemão morto em frente ao Café Etasse, Rua Armand Levéel to Cherbourg. Foto: J. Teeuwisse.

Rua Dom Pedro. Civis e soldados americanos retiram uma placa do quartel da organização Todt (grupo de engenharia civil e militar do 3° Reich) em Cherbourg. Foto: J. Teeuwisse

Capitão americano, WH Hooper, e alguns de seus homens marchando ao redor de prisioneiros alemães. Foto: J. Teeuwisse

Left behind”. Foto de J. Teeuwisse.

Normandia. 1944/2004. Foto: J. Teeuwisse

Sicília, 1943. Foto: J. Teeuwisse.

Nazistas em Paris. Foto: Sergey Larenkov

Colônia, março de 1945 Em frente à antiga Catedral Dom. Logo após um Panther ser abatido, uma placa foi colocada perto dele mandando manter distância. Foto: J. Teeuwisse

S. Petersburgo (Leningrado), mostrando o cerco de 900 dias de Leningrado, também conhecido como “O bloqueio de Leningrado” que durou de 9 de setembro de 1941 à de 27 janeiro de 1944 – pouco mais de 70 anos atrás. Foto de Sergey Larenkov

Basly, 27 de junho de 1944 – Membros da Ambulância de Campo 23d, colocando flores em túmulos no cemitério da igreja de Saint Georges. Foto: J. Teeuwisse.

Leningrado. Foto: Sergey Larenkov

França, Place du Marché, 10 de junho de 1944. Foto: J. Teeuwisse.

Moscou 1941-2013. Foto de Sergey Larenkov

Londres em dois momentos: durante a Segunda Guerra (Blitz, durante a fuga para o metrô) e nos dias atuais. Foto: Sergey Larenkov

Marcha sobre Washington em 28 de agosto de 1963, no dia do grande discurso de Martin Luther King e atualmente. Foto de Jason E. Powell

Dia D, 6 de junho de 1944, Normandia. O desembarque das tropas americanas na praia de Omaha e Monumento “Les Braves” em 2010. Foto: Sergey Laremkov.

Guerra Civil norte-americana. Foto de Jason E. Powell.

Leningrado em 1941/ São Petersburgo em 2012. Foto: Sergey Larenkov

Foto de Sergey Larenkov

Cavalaria alemã em Paris (1940/2010). Foto: Sergey Larenkov.

Dois momentos em São Francisco, um em 1906, quando ocorreu um violento terremoto de magnitude 8.0 na Escala de Richter que destruiu a cidade e atualmente. Foto: Shawn Clover

Auschwitz I, 27 de janeiro de 1945. Soldados russos com prisioneiros do bloco 19, onde eram colocados em quarentena, na sessão médica. Foto: J. Teeuwisse.

Normandia, praia de Omaha. Foto: Sergey Larenkov.

Foto: Sergey Larenkov.

Praga durante a Segunda Guerra. Foto: Sergey Larenkov.

Reichtag. Foto: Sergey Larenkov.

quinta-feira, 14 de março de 2024

"O comércio atlântico de escravos em dois minutos - 315 anos. 20,528 viagens. Milhões de vidas." Infográfico interativo (Por Andrew Kahn e Jamelle Bouie)

Acesse à publicação original: Infográfico interativo

Interactive by Andrew Kahn. Background image by Tim Jones
Infográfico interativo mostra o tráfico de escravos africanos entre o século XVI e XIX. Alguns dados: 315 anos, 20.528 viagens, 12,5 milhões de negros transportados, 2 milhões não chegaram vivos ao destino, 4,8 milhões enviados para o Brasil.

Tradução realizada pelo Google Tradutor:
"Normalmente, quando dizemos "escravidão americana" ou "comércio de escravos americano", queremos dizer as colônias americanas ou, mais tarde, os Estados Unidos. Mas, como vimos no episódio 2 de História da escravidão americana Academia de ardósia, em relação a todo o comércio de escravos, América do Norte era um jogador pouco. Do começo do comércio no século 16 para a sua conclusão no 19, mercadores de escravos trouxe a grande maioria dos africanos escravizados a dois lugares: no Caribe e no Brasil. Dos mais de 10 milhões de africanos escravizados para eventualmente alcançar o Hemisfério Ocidental, apenas 388.747-menos de 4 por cento do total, veio para a América do Norte. Este foi menor em relação ao 1,3 milhão trouxe para espanhol América Central, 4 milhões trazido para britânicos, franceses, holandeses e dinamarqueses participações no Caribe, ea 4,8 milhões trazido para o Brasil.

Este interativo, projetado e construído por do Slate Andrew Kahn, dá-lhe um sentido da escala do comércio transatlântico de escravos ao longo do tempo, bem como o fluxo de transporte e eventuais destinos. Os pontos-que representam escravos individuais navios-também correspondem ao tamanho de cada viagem. Quanto maior o ponto, as pessoas mais escravos a bordo. E se você pausar o mapa e clique em um ponto, você vai aprender sobre o navio de bandeira-era britânica? Português? Francês? -sua Ponto de origem, seu destino, e sua história no comércio de escravos. O interativo anima mais de 20.000 viagens catalogados no banco de dados Trans-Atlantic Slave Trade. (Foram excluídos viagens para os quais há informações incompletas ou vagas no banco de dados). O gráfico na parte inferior acumula estatísticas com base nos dados brutos utilizados na interativo e, mais uma vez, representa apenas uma parte do escravo real trade-cerca de um metade do número de africanos escravizados que realmente foram transportados para longe do continente.

Existem algumas tendências dignas de nota. Como os primeiros estados europeus com uma grande presença no Novo Mundo, Portugal e Espanha dominar o século abertura do comércio transatlântico de escravos, o envio de centenas de milhares de pessoas escravizadas às suas participações na América Central e do Sul e Caribe. O papel Português não declina, e aumenta através do 17, 18 e 19 séculos, como Portugal traz milhões de africanos escravizados para as Américas.
Em 1700, no entanto, diminui e transporte espanhóis é substituído (e ultrapassado) por britânicos, franceses, holandeses e-até o final da atividade século americano. Este cem anos-de cerca de 1725 a 1825, também, é o ponto alto do tráfico de escravos, como europeus enviar mais de 7,2 milhões de pessoas para trabalho forçado, doenças e morte no Novo Mundo. Por um tempo, durante este período, o transporte britânica até excede Portugal.
Nas últimas décadas do comércio transatlântico de escravos, Portugal recupera o seu estatuto como os traficantes de escravos principais, o envio de 1,3 milhões de pessoas para o Hemisfério Ocidental, e principalmente para o Brasil. A Espanha também retorna como uma nação líder no comércio de escravos, o envio de 400.000 para o Ocidente. O resto dos países europeus, pelo contrário, têm em grande parte terminou seus papéis no comércio.
Até a conclusão do comércio transatlântico de escravos no final do século 19, os europeus haviam escravizados e transportados mais de 12,5 milhões de africanos. Pelo menos 2 milhões, historiadores estimam, não sobreviveram à viagem. -Jamelle Bouie
Slate Academy: a história da escravidão americana"

Também na Slate:
"Veja como 13.000 Guerra Monumentos Civis Preencha os EUA Mapa e ler as inscrições Chilling"
Correção, 30 de junho, 2015: A interativo originalmente exibida locais incorretos para Quelimane (também escrito Quelimane), Malembo e Cardenas. Eles são em Moçambique, Angola e Cuba, respectivamente, não Sudão e Espanha. Além disso, o mapa tinha localizado um porto chamado "espanhol Américas" no leste da América do Norte. O mapa de revista não mostra esta porta ou viagens a ele.
Correção, 25 de junho, 2015: A interativo originalmente exibida locais incorretos para St. Vincent e Zion Hill. Eles estão no Caribe, não em os EUA e Canadá, respectivamente.
Andrew Kahn é assistente de edição interactives do Slate. Siga-o no Twitter.
Jamelle Bouie é correspondente político chefe da Slate.

Fonte: Slate

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Apostila "Academia ENEM"

O Projeto Academia ENEM é uma iniciativa da Prefeitura de Fortaleza, tornando-o preparatório ao Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, "objetivando aprimorar o aprendizado."
Esse módulo está dividido do seguinte modo:
I - Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação
- Competências e Habilidades.
- Interpretação de Texto.
- Literatura.

II - Matemática e suas Tecnologias
- Escalas Numéricas.
- Trigonometria nos triângulos.
- Proporcionalidade.

III - Ciências Humanas e suas Tecnologias
- História do Brasil.
- História Geral
- Geografia.

IV - Ciências da Natureza e suas Tecnologias
- Biologia.
- Química.
- Física.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Zeitgeist, o Filme - "Religião" (Dublado) - Parte I



A primeira parte do filme Zeitgeist, o Filme (Zeitgeist, the Movie) foi lançado em 2007, produzido por Peter Joseph, aborda temas como Cristianismo, ataques de 11 de setembro e o Banco Central dos Estados Unidos da América (Federal Reserve).
A primeira parte do filme é uma avaliação crítica da religião, com principal incidência no cristianismo, se utilizando de argumentos do livro "The Christ Conspiracy, The Greatest Story Ever Sold" (A Conspiração Cristo, A Maior História da Já Vendida) da autora teosofista Acharya S, sendo que é a própria autora defende sua teoria no Guia Oficial do filme.

O filme é estruturado em três seções:
Parte I - "The Greatest Story Ever Told" ("A maior história já contada");
Parte II - "All The Worlds A Stage" ("O mundo inteiro é um palco");
Parte III - "Don't Mind The Men Behind The Curtain" (Não se importem com os homens atrás da cortina").