terça-feira, 21 de abril de 2015

Filmes sobre "Tiradentes" - Museu Virtual da Inconfidência - Poemas de Cecília Meireles - Portal da Inconfidência

"A trajetória de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Humberto Martins), líder da Inconfidência Mineira, um movimento surgido em Vila Rica (Ouro Preto) em 1789. Tiradentes sonhou junto com amigos e intelectuais ver o Brasil independente do domínio português, mas esbarrou na traição de Joaquim Silvério dos Reis (Rodolfo Bottino). Tiradentes é um filme brasileiro de 1998, do gênero drama biográfico-histórico, dirigido por Oswaldo Caldeira. O filme foi produzido por Oswaldo Caldeira Produções Cinematográficas e Paula Martinez Mello; O roteiro é de Oswaldo Caldeira; A música de Wagner Tiso; A direção da fotografia de Antônio Luiz Mendes; A direção de arte, cenografia e figurino de Anísio Medeiros, e a edição de Amauri Alves. O filme mostra uma visão bem diferente da convencional, acerca dos fatos políticos que envolveram a Inconfidência Mineira e a condenação dos conjurados. Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, teria sido condenado à morte por ser o único dos revoltosos que não tinha grandes posses. Por outro lado, grande parte da elite de Ouro Preto estava envolvida no levante, inclusive o próprio visconde de Barbacena, mas a maioria não foi processada e nem sequer presa. Uma visão intrigante, porém com respaldo em muitas pesquisas recentes."

Filme 01 - "Tiradentes" de 1998


Filme 02 - "O Mártir da Independência, Tiradentes" de 1977

Visite Virtualmente o Museu da Inconfidência - 
Ouro Preto/MG

Observação: Ao entrar, siga as setas amarelas.


Poemas

Romance LX ou Do caminho da forca - Cecília Meireles


Os militares, o clero,
os meirinhos, os fidalgos
que o conheciam das ruas,
das igrejas e do teatro,
das lojas dos mercadores
e até da sala do Paço;
e as donas mais as donzelas
que nunca o tinham mirado,
os meninos e os ciganos,
as mulatas e os escravos,
os cirurgiões e algebristas,
leprosos e encarangados,
e aqueles que foram doentes
e que ele havia curado
- agora estão vendo ao longe,

de longe escutando o passo
do Alferes que vai à forca,
levando ao peito o baraço,
levando no pensamento
caras, palavras e fatos:
as promessas, as mentiras,
línguas vis, amigos falsos,
coronéis, contrabandistas,
ermitões e potentados,
estalagens, vozes, sombras,
adeuses, rios, cavalos...

Ao longo dos campos verdes,
tropeiros tocando o gado..
O vento e as nuvens correndo
por cima dos montes claros.
Onde estão os poderosos?
Eram todos eles fracos?
Onde estão os protetores?
Seriam todos ingratos?
Mesquinhas almas, mesquinhas,
dos chamados leais vassalos!

Tudo leva nos seus olhos,
nos seus olhos espantados,
o Alferes que vai passando
para o imenso cadafalso,
onde morrerá, sozinho
por todos os condenados.

Ah, solidão do destino!
Ah, solidão do Calvário...
Tocam sinos: Santo Antônio?
Nossa Senhora do Parto?
Nossa Senhora da Ajuda?
Nossa Senhora do Carmo?
Frades e monjas rezando.
Todos os santos calados.

(Caminha a Bandeira
da Misericórdia.
Caminha, piedosa.
Caísse o réu vivo;
rebentasse a corda,
que o protegeria
a santa Bandeira
da Misericórdia!)

Dona Maria Primeira,
aqueles que foram salvos
não vos livram do remorso
deste que não foi perdoado..
(Pobre Rainha colhida
pelas intrigas do Paço,
pobre Rainha demente,
com os olhos em sobressalto,
a gemer: “Inferno... Inferno...“
com seus lábios sem pecado.)

Tudo leva na memória
o Alferes, que sabe o amargo
fim do seu precário corpo
diante do povo assombrado.

(Aguas, montanhas, florestas,
negros nas minas exaustos...
- Bem podíeis ser, caminhos,
de diamante ladrilhados...)

Tudo leva na memória:
em campos longos e vagos,
tristes mulheres que ocultam
seus filhos desamparados.
Longe, longe, longe, longe,
no mais profundo passado...
- pois agora é quase um morto,
que caminha sem cansaço,
que por seu pé sobe à forca,
diante daquele aparato...

Pois agora é quase um morto,
partindo em quatro pedaços,
e - para que Deus o aviste -
levantado em postes altos.

(Caminha a Bandeira
da Misericórdia.
Caminha, piedosa,
nos ares erguida,
mais alta que a tropa.
Da forca se avista
a Santa Bandeira
da Misericórdia.)



Romance XXI ou das ideias




A vastidão desses campos.
A alta muralha das serras.
As lavras inchadas de ouro.
Os diamantes entre as pedras.
Negros, índios e mulatos.
Almocrafes e gamelas.
Os rios todos virados.
Toda revirada, a terra.
Capitães, governadores,
padres intendentes, poetas.
Carros, liteiras douradas,
cavalos de crina aberta.
A água a transbordar das fontes.
Altares cheios de velas.
Cavalhadas. Luminárias.
Sinos, procissões, promessas.
Anjos e santos nascendo 
em mãos de gangrena e lepra.
Finas músicas broslando 
as alfaias das capelas.
Todos os sonhos barrocos
deslizando pelas pedras.
Pátios de seixos. Escadas.
Boticas. Pontes. Conversas.
Gente que chega e que passa.
E as idéias.

Amplas casas. Longos muros.
Vida de sombras inquietas.
Pelos cantos da alcovas,
histerias de donzelas.

Lamparinas, oratórios,
bálsamos, pílulas, rezas.
Orgulhosos sobrenomes.
Intrincada parentela.
No batuque das mulatas,
a prosápia degenera:
pelas portas dos fidalgos, 
na lã das noites secretas,
meninos recém-nascidos
como mendigos esperam.
Bastardias. Desavenças.
Emboscadas pela treva.
Sesmarias, salteadores.
Emaranhadas invejas.
O clero. A nobreza. O povo.
E as idéias.


E as mobílias de cabiúna.
E as cortinas amarelas.
Dom José. Dona Maria.
Fogos. Mascaradas. Festas.

Nascimentos. Batizados.
Palavras que se interpretam
nos discursos, nas saúdes . . .
Visitas. Sermões de exéquias.
Os estudantes que partem.
Os doutores que regressam.
(Em redor das grandes luzes,
há sempre sombras perversas.
Sinistros corvos espreitam
pelas douradas janelas.)
E há mocidade! E há prestígio.
E as idéias.


As esposas preguiçosas 
na rede embalando as sestas.
Negras de peitos robustos
que os claros meninos cevam.

Arapongas, papagaios, 
passarinhos da floresta.
Essa lassidão do tempo
entre imbaúbas, quaresmas,
cana, milho, bananeiras
e a brisa que o riacho encrespa.
Os rumores familiares
que a lenta vida atravessam:
elefantíase; partos;
sarna; torceduras; quedas;
sezões; picadas de cobras;
sarampos e erisipelas . . .
Candombeiros. Feiticeiros.
Ungüentos. Emplastos. Ervas.
Senzalas. Tronco. Chibata.
Congos. Angolas. Benguelas.
Ó imenso tumulto humano!
E as idéias.


Banquetes. Gamão. Notícias.
Livros. Gazetas. Querelas.
Alvarás. Decretos. Cartas. 
A Europa a ferver em guerras.

Portugal todo de luto:
triste Rainha o governa!
Ouro! Ouro! Pedem mais ouro!
E sugestões indiscretas:
Tão longe o trono se encontra!
Quem no Brasil o tivera!
Ah, se Dom José II
põe a coroa na testa!
Uns poucos de americanos,
por umas praias desertas,
já libertaram seu povo
da prepotente Inglaterra!
Washington. Jefferson. Franklin.
(Palpita a noite, repleta
de fantasmas, de presságios . . .)
E as idéias.


Doces invenções da Arcádia!
Delicada primavera:
pastoras, sonetos, liras,
— entre as ameaças austeras
de mais impostos e taxas
que uns protelam e outros negam.
Casamentos impossíveis.
Calúnias. Sátiras. Essa
paixão da mediocridade
que na sombra se exaspera.
E os versos de asas douradas,
que amor trazem e amor levam . . .
Anarda. Nise. Marília . . .
As verdades e as quimeras.
Outras leis, outras pessoas.
Novo mundo que começa.
Nova raça. Outro destino.
Planos de melhores eras.
E os inimigos atentos,
que, de olhos sinistros, velam.
E os aleives. E as denúncias.
E as idéias.


Romance XXIV ou da Bandeira da Inconfidência

Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras:
olhos colados aos vidros,
mulheres e homens à espreita,
caras disformes de insônia,
vigiando as ações alheias.
Pelas gretas das janelas,
pelas frestas das esteiras, 
agudas setas atiram
a inveja e a maledicência.
Palavras conjeturadas 
oscilam no ar de surpresas, 
como peludas aranhas
na gosma das teias densas,
rápidas e envenenadas, 
engenhosas, sorrateiras.


Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
brilham fardas e casacas,
junto com batinas pretas.
E há finas mãos pensativas,
entre galões, sedas, rendas,
e há grossas mãos vigorosas,
de unhas fortes, duras veias,
e há mãos de púlpito e altares,
de Evangelhos, cruzes, bênçãos.
Uns são reinóis, uns, mazombos;
e pensam de mil maneiras;
mas citam Vergílio e Horácio,
e refletem, e argumentam,
falam de minas e impostos,
de lavras e de fazendas,
de ministros e rainhas
e das colônias inglesas.


Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
uns sugerem, uns recusam,
uns ouvem, uns aconselham.
Se a derrama for lançada,
há levante, com certeza.
Corre-se por essas ruas?
Corta-se alguma cabeça?
Do cimo de alguma escada,
profere-se alguma arenga?
Que bandeira se desdobra?
Com que figura ou legenda?
Coisas da Maçonaria,
do Paganismo ou da Igreja?
A Santíssima Trindade?
Um gênio a quebrar algemas?


Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
"Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio..." 
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário, 
com dramática prudência:
"Tenha meus dedos cortados
antes que tal verso escrevam..."
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).


Através de grossas portas, 
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
"Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam? 
Mostram livros proibidos?
Lêem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?"
(Antiguidades de Nimes 
em Vila Rica suspensas!
Cavalo de La Fayette
saltando vastas fronteiras!
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade - essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.

XXX

Portal da Inconfidência: site lançado pelo governo mineiro coloca na internet todos os detalhes do julgamento de Tiradentes. Além dos “Autos da Devassa”, o site disponibiliza teses, dissertações, livros, iconografia, tudo sobre o tema. Confira:

Portal da Inconfidência



O outro lado de Tiradentes: História Hoje

domingo, 12 de abril de 2015

"Chega!" (Gabriel, o Pensador)

Uma pequena e singela "homenagem" para os "nossos representantes" da APEOC.
CHEGA de marcar reunião para marcar reunião! CHEGA da falta de transparência!
Vamos fortalecer as bases regionais, para termos um sindicato forte e verdadeiramente representativo!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Documentário da National Geographic Channel: "Os Cavaleiros Templários" (Dublado)



"A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim "Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici"),[2] mais conhecida como Ordem dos Templários, Ordem do Templo (em francês "Ordre du Temple" ou "Les Templiers") ou Cavaleiros Templários (algumas vezes chamados de: Cavaleiros de Cristo, Cavaleiros do Templo, Pobres Cavaleiros, etc). Foi uma das mais famosas Ordens Militares de Cavalaria.[3] A organização existiu por cerca de dois séculos na Idade Média, fundada no rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito original de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.
Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade para se tornarem monges. Usavam seus característicos mantos brancos com a cruz vermelha de malta, e seu símbolo passou a ser um cavalo montado por dois cavaleiros. Em decorrência do local de sua sede (a mesquita Al-Aqsa no cume do monte onde existira o Templo de Salomão em Jerusalém) e do voto de pobreza e da fé em Cristo surgiu o nome "Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão".
O sucesso dos Templários esteve vinculado ao das Cruzadas. Quando a Terra Santa foi perdida, o apoio à Ordem reduziu-se. Rumores acerca da cerimónia de iniciação secreta dos Templários criaram desconfianças, e o rei Filipe IV de França profundamente endividado com a Ordem, começou a pressionar o Papa Clemente V a tomar medidas contra eles. Em 1307, muitos dos membros da Ordem em França foram detidos e queimados em estacas.[4] Em 1312, o Papa Clemente dissolveu a Ordem. O súbito desaparecimento da maior parte da infra-estrutura europeia da Ordem deu origem a especulações e lendas, que mantém o nome dos Templários vivo até os dias atuais." (Youtube)


quinta-feira, 19 de março de 2015

"Carta do ano 2070 - Advertência à Humanidade - Preservação da Água | Meio Ambiente"

"Carta escrita no ano de 2070, onde uma humanidade debilitada e com sequelas provenientes da degradação do meio ambiente e do esgotamento de recursos não renováveis tenta advertir sobre as consequências e erros de sua geração e com o peso do arrependimento gostariam de voltar no tempo e praticar ações com responsabilidade ambiental e prol da humanidade, das gerações futuras e do planeta terra.
O Texto contido no vídeo foi publicado na revista "Crônicas de los Tiempos" em abril de 2002, ilustrando a catástrofe mundial enfrentada pela humanidade em função da falta de água e dos recursos não renováveis no planeta.
A simplicidade da composição química parece disfarçar a importância da água para o desenvolvimento e preservação de todas as formas de vida existente na Terra. Sem a água, que constitui 70% do corpo humano, a vida, tal como a conhecemos, não seria possível. A sociedade tem negligenciado a possibilidade de esgotamento dos recursos hídricos e vem promovendo intervenções no meio ambiente que trarão sérias consequências para a humanidade e comprometerá toda vida existente na terra.

Faça já a sua parte enquanto é tempo!!!"

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"Experiência de Racismo"

"O Harlem, bairro de Nova York, nos Estados Unidos, concentra a comunidade afro-americana desde a década de 1930. Na região, ser branco chama a atenção dos moradores, mas será que isso pode provocar atos de ódio e violência? O quadro “What Would You Do” (“O Que Você Faria“), produzido pelo canal ABC, resolveu testar esses preconceitos em novos vídeos.
Três atores foram contratados para criar uma situação polêmica dentro de uma barbearia do bairro, e a reação das pessoas foi gravada em vídeo. Uma das atrizes, Rachel, era uma cabeleireira negra que deu em cima de Gabriel, um ator também negro, que esperava para ser atendido. Logo depois, a namorada do jovem, atriz e branca, chegou e Rachel começou a fazer comentários preconceituosos para o cliente: “O quê? Você está com uma garota branca? Você não conseguiu achar uma mulher negra e forte para você?”.
Em três das quatro filmagens as pessoas reprovaram a ação de Rachel. Uma das mulheres, que aguardava nas cadeiras de espera do salão, questionou enquanto apontava o dedo para a cabeleireira: “As mesmas críticas que fizeram com a nossa gente, você vai lá e vai fazer com outra pessoa? O que te dá esse direito?”.
Em outra filmagem, após os comentários de Rachel, um homem arranjou uma briga feia, argumentando que se o problema é uma garota branca não ser do Harlem, a cabeleireira também deveria parar de frequentar o centro de Nova York. Ele, então, finalizou: “Drogas estão arruinando a família negra, pobreza está arruinando a família negra, não uma garota branca“.
A reação mais incrível de todas é a última, em que uma senhora negra e homossexual faz Rachel chorar e pedir desculpas à garota branca, ao fazer um discurso coerente e amoroso: “Onde está o seu coração amoroso? Se ela estivesse deitada sangrando na rua, você a ajudaria? […] É nossa responsabilidade garantir que eles se sintam bem. Nós não precisamos pisar neles. Eles já pisaram em nós por muito tempo. Vamos tentar levantar juntos“." Pragmatismo Político

domingo, 15 de fevereiro de 2015

"A Arte da Guerra por Sun Tzu" (History Channel)


"Escrito no séc. IV a.C., há cerca de 2.500 anos, por Sun Tzu, um general e estrategista chinês, o livro "Arte da Guerra" continua ainda hoje a ser admirado como fonte de ensinamentos na área da estratégia. De fato, muitos consideram "A Arte da Guerra" como a origem do próprio conceito de estratégia. Apesar de ser um tratado puramente militar, os conselhos e ensinamentos de Sun Tzu são perfeitamente adaptáveis ao mundo das empresas e dos negócios; basta para isso olhar para a concorrência como o inimigo e para o mercado como o campo de batalha." 
Leia o livro: A Arte da Guerra



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Quando o Império morreu de sede" (Revista de História da Biblioteca Nacional)

"Em 1889, uma grave crise hídrica só foi resolvida com a mobilização do povo, uma imprensa combativa e a habilidade de um jovem engenheiro. O governo não durou muito.Rio de Janeiro, capital do Império, início de 1889. O clima é quente. Auge do verão, a cidade alterna períodos de calor e secura com dias de chuvas torrenciais. Não há um sistema de esgoto eficiente. Áreas alagadiças no entorno do centro urbano favorecem a proliferação de mosquitos, hospedeiros de doenças que assolam toda a população desde os tempos da colônia. No final do século XIX, médicos e cientistas já haviam percebido a relação entre epidemias tropicais e a má-gestão da água.
As semanas passam, as chuvas rareiam. O calor aumenta. Com ele, a febre amarela. Aqueles que podem, tomam o trem e sobem a serra de Petrópolis. Aproveitam, como Pedro II e sua família, o clima ameno da cidade imperial. Na corte do Rio de Janeiro, fica quem tem que trabalhar. Ou seja, a maioria da população.
Dois de fevereiro. A epidemia aumenta. A Revista Illustrada, tocada pelo redator-caricaturista Angelo Agostini, propõe “medidas sanitárias” para resolver o problema. Entre elas, aumentar o abastecimento de água. Ao longo do mês, o problema se agrava. No dia 9, o mesmo semanário denuncia a situação alarmante: enquanto o surto de febre mata crianças indefesas, os funcionários do governo não fazem nada além de consultar livros e escrever ofícios. (...)"

Continue lendo em: Revista de História

domingo, 25 de janeiro de 2015

Cinema e literatura mostram diferentes visões sobre a Revolução Francesa (Guia do Estudante)

"A Tomada da Bastilha", pintura de Jean-Pierre Louis Laurent Houel (1735-1813)
"Livro de Charles Dickens e filme com Gérard Depardieu mostram perspectivas diferentes do evento.
Ascensão do Iluminismo e decadência do Absolutismo marcaram a história ocidental do século 18. Os novos ideiais, difundidos na Europa e da América do Norte, alimentaram a eclosão das chamadas revoluções burguesas: a Industrial (1760), a Americana (1776) e a Francesa (1789). Assunto recorrente dos vestibulares, a Revolução Francesa não pode passar batida pelos leitores do GUIA. Por isso, selecionamos três obras sobre o período: o livro Um Conto de Duas Cidades, clássico de Charles Dickens (1812 - 1870) e os filmes A Queda da Bastilha (baseado na obra de Dickens e indicado ao Oscar de melhor filme em 1937) e Danton - O processo da revolução (importante referência sobre a situação política e social em Paris, durante a Revolução).

LIVRO: UM CONTO DE DUAS CIDADES (Tale of Two Cities, 580 páginas)

Publicado por Dickens em 1859, destaca a condição dos desfavorecidos em contraponto à nobreza europeia. O autor narra desde a fase em que os camponeses começavam a se organizar para derrotar os aristocratas até a turbulenta tomada da Bastilha e os tempos da guilhotina.
Repleto de paralelos entre as sociedades francesa e londrina da época da Revolução, o livro tem seus personagens transitando entre Inglaterra e França. Os personagens principais são: Charles Darnay (aristocrata francês de ideais democratas mas que acaba vítima da Revolução por sua origem familiar), Sydney Carton (virtuoso advogado britânico que se sacrifica em nome da ética, da justiça e de seu amor por Lucie Manette, esposa de Darnay) e a própria Lucie (filha de um ex-prisioneiro da Bastilha libertado pelos camponeses).


FILME: A QUEDA DA BASTILHA (EUA, 1935)
Adaptação do romance Um Conto de Duas Cidades, o filme acompanha a trama de Dickens desde o primeiro envolvimento de Sydney Carton com a vida de Charles Darnay e de Lucie Manette até o decisivo tribunal a que se submete Carton.

Lucie Manette se muda com seu pai para Londres após resgatá-lo de uma prisão de 18 anos na Bastilha. Enquanto isso, na França, o aristocrata francês Charles Darnay é acusado pela Revolução de ser espião do Antigo Regime e é defendido pelo advogado Sydney Carton. A produção foi indicada ao Oscar de melhor filme em 1935.


FILME: DANTON - O processo da revolução (França/Polônia, 1982)
Danton (Gérard Depardieu), um dos líderes da Revolução, retorna a Paris em 1794 e constata os desmandos do comitê de segurança revolucionário. Decidido a enfrentar o governo para restabelecer os princípios originais da Revolução, entra em conflito com seu antigo aliado, Robespierre.

Dirigido pelo polonês Andrzej Wajda, o filme retrata o período conhecido como "Terror" (entre 1794 e 1795), em que as pessoas acusadas de contrarrevolucionárias eram enviadas à guilhotina sumariamente.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Conheça 10 tipos de Pena de Morte

1 - Decapitação ainda é praticada?
Na Idade Média, a decapitação tinha um caráter político: era reservada geralmente para líderes de rebeliões. A prática consistia no corte da cabeça do indivíduo condenado, na maioria das vezes com um machado empunhado pelo carrasco. "Tem um simbolismo. É o corte da fala, da capacidade de agir", diz o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Rivair Macedo. 
A decapitação foi praticada na Europa até o fim do Antigo Regime - estilo de governo que predominou no continente durante a Idade Moderna. Segundo o professor, as execuções eram cenas públicas de grande envergadura. Na derradeira passagem pelas ruas, o indivíduo era conduzido em uma carroça suja, ou montado ao contrário em um burro, com objetivo de difamá-lo perante os espectadores.
Após a execução, se eventualmente a família conseguisse provar a inocência do indivíduo (o que não era tão raro), outro ritual era promovido. Um boneco era posicionado no mesmo lugar da morte (ou, se fosse recente, o próprio defunto) para que a cabeça fosse "recolocada", simbolizando sua volta e a recuperação de sua moral.
A decapitação ainda é praticada atualmente. Entre 2010 e 2011, a Anistia Internacional registrou execuções por esse método na Arábia Saudita. No país, a decapitação é feita com o uso de espada.
Foto: Getty Images

2 - Em que países ainda se pratica o enforcamento?

Em Paris, a Place de Grève (hoje conhecida como Place de l´Hôtel de Ville) foi palco de diversos enforcamentos. O professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Rivair Macedo explica que essa prática era empregada em casos de crimes mais comuns, como roubo ou assassinato.
Para o enforcamento, o indivíduo é posicionado sobre um cadafalso e tem uma corda amarrada em seu pescoço. As mãos ficam presas, impedindo que ele resista. Quando o chão do cadafalso se abre, o condenado fica suspenso até a hora da morte. Muitas vezes, o corpo continuava exposto por algum tempo, entrando em fase de decomposição, ou ainda era esquartejado e espalhado pela cidade - como um recado para os demais habitantes.
Caso a inocência fosse provada após a execução, ocorria uma cerimônia de "desenforcamento". A exemplo do ocorrido da decapitação, um boneco (ou um ator) representando o morto era conduzido em um cortejo no qual as pessoas deviam lamentar pela condenação equivocada. Ao ser recolocado na forca, no mesmo local da execução, o juiz que definiu a pena deveria lhe dar um beijo no rosto, simbolizando o reatamento. No fim do ritual, o corpo era levado até uma Igreja e enterrado.
Ainda praticado hoje, o enforcamento, segundo a Anistia Internacional, foi o método de execução entre 2010 e 2011 em países como Afeganistão, Bangladesh, Botsuana, Cingapura, Egito, Irã, Iraque, Malásia, Coreia do Norte, Japão, Gaza, Síria, Sudão e Sudão do Sul.
Foto: Getty Images

3 - Quais criminosos eram condenados à fogueira na Idade Média?

A prática de sentenciar à morte pela fogueira se disseminou no século XIII, a partir da criação dos tribunais da Inquisição. Esse método era reservado, em geral, para crimes religiosos, de modo que o fogo tinha um caráter de purgação. "Era uma ideia de fogo purificador que reduziria o corpo às cinzas no ensejo de que a alma pudesse ser resgatada depois", detalha o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Rivair Macedo.
Nos rituais, caso algo saísse errado ou acontecesse uma situação inesperada - por exemplo, a fogueira que não acende, ou a corda da forca que se rompe -, o fato era interpretado como vontade divina, e o indivíduo não poderia mais ser executado.
Durante a Idade Média, a fogueira foi a principal pena dos hereges e daqueles acusados de bruxaria ou por crimes de natureza sexual. Uma das personagens mais conhecidas por ter morrido dessa maneira, Joana D´Arc, heroína francesa da Guerra dos Cem Anos, foi condenada por heresia e bruxaria e queimada viva em 1431. Já no século XX, ela teve a condenação anulada e foi canonizada.
Foto: Getty Images

4 - Do que morriam os condenados ao empalamento?

O empalamento era uma forma de execução para pena de morte empregada durante a Idade Média. Sua utilização não foi tão disseminada quanto outros métodos, como a forca ou a decapitação. Mais rara, acontecia principalmente em casos de crimes sexuais. "Não era uma prática corrente", afirma o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) José Rivair Macedo.
No empalamento, uma estaca era inserida pelo ânus do indivíduo e empurrada em sentido longitudinal. Em alguns casos, a estaca era fixada no chão, para que a gravidade puxasse o corpo para baixo. A perfuração levava à morte por hemorragia. O mais conhecido entusiasta desse método foi Vlad III (também referido como Vlad, o Empalador, ou como Drácula). O príncipe da Valáquia (província histórica da Romênia) impôs a pena tanto a inimigos quanto a súditos de seu reino.

Foto: Getty Images

5 - Que personagens históricos foram guilhotinados?

A guilhotina é um instrumento mecânico utilizado principalmente entre os séculos XVIII e XIX para execuções por decapitação. Sugerida por Joseph Guillotin, a máquina era construída com uma armação reta e uma lâmina losangular suspensa. Na hora da execução, o indivíduo tinha a cabeça posicionada em uma barra que o impedia de se mover. Quando o carrasco liberava a corda, a lâmina descia e cortava o pescoço, separando a cabeça do restante do corpo.
Segundo informações do Museu da Tortura em Amsterdã, na Holanda, a guilhotina foi proposta por Guillotin como um instrumento capaz de matar de forma mais rápida, indolor e "humanitária". O aparelho, contudo, foi símbolo um estado de terror, especialmente na época da Revolução Francesa (1789-1799) - como retratado no livro A Guilhotina e o Imaginário do Terror, de Daniel Arasse. Nessa época, milhares de pessoas foram mortas com o uso da máquina.
Entre personagens famosos da história que foram guilhotinados estão o rei da França Luís XVI - condenado após a abolição da monarquia em 1792 - e sua esposa, Maria Antonieta. O químico francês Lavoisier também foi executado na guilhotina. O instrumento foi totalmente inutilizado na França em 1981, com a abolição da pena de morte.
Foto: Getty Images

6 - Até quando foi utilizado o garrote?

Utilizado na Espanha até a abolição da pena capital pela Constituição de 1978, o garrote é um instrumento de tortura feito com um poste de madeira e equipado com um colar de ferro. A execução ocorria por asfixia, na medida em que o colar ia sendo comprimido por uma roldana manual. Havia outra versão do garrote, com um parafuso acoplado ao colar que penetrava na coluna e quebrava as vértebras cervicais. O movimento também empurrava o pescoço para frente, esmagando a traqueia.
No livro O que é pena de morte, de Luís Francisco Carvalho Filho, o garrote é apontado como a pena para quem cometesse sodomia, mas outros crimes (em especial quando praticados por pessoas de classe mais baixa) também eram punidos com o garrote. O autor descreve ainda que os indivíduos, depois de mortos, eram muitas vezes incendiados.

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7 - Como morriam os condenados à roda?

Utilizada principalmente entre os séculos XIV e XV na Europa, a roda era um instrumento de tortura que também provocava a morte do condenado. Foi mais um dos métodos aplicados pela Inquisição. Na prática, o indivíduo era colocado sobre a roda, com a barriga virada para cima e os membros estendidos. Mãos e pés eram amarrados a estacas ou argolas de ferro, impedindo qualquer movimento ou tentativa de fuga. Por baixo das articulações e do quadril, eram colocados suportes de madeiras, que serviam para prensar as partes do corpo quando golpes com uma barra começavam a ser desferidos. Com os ossos despedaçados, os indivíduos punidos com a roda ficavam expostos ao público e sujeitos à presença de corvos, que poderiam arrancar pedaços de carne. A morte se dava de forma lenta e dolorosa.
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8 - Morte por elefante

Já na antiga Eurásia, animais eram vistos como instrumentos da justiça e meios para a retribuição divina, sendo utilizados por reis para esse fim. A morte de condenados sujeitos à execução de animais tornava-se um espetáculo público. No livro The Royal Hunt in Eurasian History, o autor Thomas Allsen descreve que o uso de elefantes para esse fim tornou-se uma prática conhecida especialmente no sudeste da Ásia.
Na Índia, tanto governantes hindus quanto muçulmanos executaram devedores de impostos, rebeldes e soldados inimigos sob os pés de elefantes. A forma como o método era colocado na prática também variava. Em algumas regiões, no início do século XVIII, os condenados eram primeiramente jogados no ar e só então pisoteados até a morte. Mas, no sultanato de Déli, o prisioneiro era jogado no chão e cortado em pedaços por lâminas colocadas nas presas do elefante. Em todas as ocasiões, havia um responsável por controlar o elefante e repassar comandos, o mahout.

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9 - Quantos condenados aguardam a hora da morte por apedrejamento?

Previsto na Lei de Moisés (também chamada de Lei Mosaica, aceita por judeus e cristãos), o apedrejamento era, segundo essa regra, a punição possível para crimes como blasfêmia, idolatria, feitiçaria, relações sexuais com uma virgem prometida, estupro, adultério e rebeldia contra os pais. Apesar de não constar no Corão, a lapidação (como também é chamada a prática) também é aplicada pela Lei Islâmica. Esse tipo de pena é praticado até hoje, em países como Afeganistão, Irã, Nigéria e Sudão, principalmente como condenação para homossexualismo e adultério.
Por esse método, o condenado é amarrado, enrolado em um pano e enterrado em um buraco no chão - os homens ficam descobertos da cintura para cima, enquanto as mulheres, do peito para cima. Imobilizado, o indivíduo é alvo de pedras de tamanho médio, que provocam traumatismos consecutivos, levando-o à morte.
O último registro de morte por apedrejamento, segundo a Anistia Internacional, foi em 2009. Mesmo assim, o Irã, por exemplo, tem pelo menos 15 pessoas condenadas ao apedrejamento, porém sem data para a execução.
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10 - Todos condenados à cruz eram crucificados vivos?

Segundo o historiador e teólogo Martin Hengel, no livro Crucifixion in the Ancient World and the Folly of the Message of the Cross, a crucificação como tortura foi introduzida pelos persas e chegou a ser adotada também por germânicos e britânicos (combinando o método com suas próprias formas de punição). A aplicação mais notável, contudo, foi dos romanos. Na descrição de Hengel, havia diversas formas de crucificação praticadas na época. O indivíduo poderia ser fixado à cruz ainda vivo, mas também se costumava executar a pessoa por outro método e só então dispô-la crucificada publicamente.
Na crucificação, o indivíduo tinha mãos e pés pregados na cruz. O carrasco podia determinar diferentes variações de tortura, mas em geral o condenado levava uma surra e, então, ostentando uma placa no pescoço que identificava o crime que havia cometido, era obrigado a carregar a própria cruz até o local da execução. Lá, ele era fixado com os braços estendidos e, não raro, posicionado de forma a sentar sobre uma pequena estaca de madeira. O ritual poderia ser acompanhado pelo público, como uma forma de exibição. O crucificado vivo não morria antes de 36 horas e sofria com exposição ao sol e a insetos, sede e desconforto. A morte lenta era antecedida por sangramento, dor, febre e até convulsões.
Abolida pelo imperador romano Constantino em 337 d.C., a crucificação foi substituída pela forca, um método "mais humano" de execução. Ao longo dos séculos, a crucificação chegou a ser praticada em países do oriente. Ainda hoje, alguns códigos penais preveem a crucificação como punição em países como o Irã.
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Fonte: Portal Terra